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03/12/2024

67% das empresas abertas aderem à governança corporativa e impulsionam práticas mais transparentes

A governança corporativa é mais do que uma formalidade. É um pilar essencial para o desenvolvimento sustentável de empresas, economias e mercados. No Brasil, os avanços recentes são encorajadores: 67% das companhias abertas já seguem as práticas recomendadas pelo Código Brasileiro de Governança Corporativa, segundo o estudo Pratique ou Explique 2024, do IBGC.

Apesar desse progresso, o ritmo de adesão vem desacelerando, o que acende alertas. Desde 2019, houve um crescimento de 15,9 pontos percentuais na adoção dessas práticas, mas o último ano apresentou uma alta modesta de apenas 1,7 pontos. Para especialistas, essa estabilização pode indicar que muitas empresas atingiram um “teto” no que consideram necessário para conformidade, sem buscar, de fato, o aprimoramento contínuo de suas práticas.

A evolução da governança corporativa no Brasil

O conceito de governança corporativa está associado à transparência, à responsabilidade e à ética. Em mercados maduros como os EUA e a Alemanha, essas práticas são altamente sofisticadas, com conselhos independentes e estrutura descentralizada. No Brasil, o cenário é mais desafiador, especialmente em empresas familiares, onde a centralização do poder ainda predomina.

No entanto, as empresas do Novo Mercado, segmento da B3 que exige os mais elevados padrões de governança, continuam sendo uma referência. Com uma média de aderência de 78,8%, elas mostram como boas práticas podem criar confiança entre investidores e stakeholders, fortalecendo o mercado de capitais brasileiro.

 

O papel das estatais e do setor privado

Um ponto de destaque é o desempenho das empresas estatais, que alcançaram uma média de aderência de 80,8% no último ano. Já o setor privado apresenta uma taxa de 66%, um número menor, mas que ainda demonstra avanço gradual.

Segundo Denise Giffoni, da EY, o aumento das taxas reflete uma valorização crescente da governança como ferramenta estratégica. Por outro lado, há indícios de que muitas práticas estão sendo implementadas por conformidade, e não como parte de uma mudança cultural genuína.

 

Impactos para investidores e mercados

A governança corporativa impacta diretamente os investidores. Práticas mais transparentes e éticas tornam o mercado mais atrativo, estimulando a confiança e a entrada de capital estrangeiro. Além disso, empresas que investem em governança sólida tendem a apresentar maior resiliência e sustentabilidade a longo prazo.

O relatório do IBGC também destacou a importância de integrar governança à estratégia empresarial, promovendo avaliações contínuas e estruturadas. Isso se alinha a uma tendência global de fortalecer os elos entre empresas, acionistas e a sociedade.

A importância da transformação cultural

Para que o Brasil continue avançando, é fundamental que empresas e líderes compreendam que a governança corporativa vai além de atender normas e regulamentos. Trata-se de um compromisso com a criação de valor sustentável, com impactos positivos para todos os stakeholders.

No papel de investidores ou gestores, é essencial incentivar práticas que promovam a transparência e a responsabilidade em todos os níveis da organização. Somente assim será possível não apenas manter, mas acelerar o ritmo de adesão à governança corporativa no Brasil.

 

Conclusão

Com 67% de adesão das empresas abertas, o Brasil avança, mas ainda tem uma longa jornada pela frente. A estabilização nos índices mostra que é hora de ir além da conformidade e adotar uma abordagem mais estratégica e cultural.

Seja você investidor, gestor ou empreendedor, a mensagem é clara: governança corporativa não é apenas uma exigência. É uma oportunidade de transformar negócios, atrair investimentos e construir um futuro mais sólido e sustentável para o mercado.

 

Fontes: IBGC, PWC Next Gen 2022, EY.