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05/02/2026

Master, Will Bank e Fictor: por que esses casos acendem um alerta urgente para investidores

Investidores com patrimônio relevante costumam se preparar para oscilações de mercado, ciclos de juros, inflação e volatilidade cambial. O que raramente entra no radar com a mesma profundidade é o risco estrutural: aquele que nasce da governança, da forma de crescimento da instituição financeira, do perfil do controlador e da dependência excessiva de confiança.

Os casos recentes envolvendo Banco Master, Will Bank e Grupo Fictor evidenciam exatamente esse tipo de risco. Não se trata de uma perda causada por mercado adverso, mas de um evento de ruptura, que transforma ativos líquidos em recursos bloqueados, decisões planejadas em urgências e patrimônio organizado em passivo emocional e jurídico.

O ambiente que permitiu esses casos acontecerem

Para entender o alerta, é preciso olhar o pano de fundo. O Brasil viveu, nos últimos anos, um período prolongado de juros elevados, o que favoreceu o crescimento acelerado de bancos médios e fintechs por meio da captação agressiva via CDBs e outros títulos de renda fixa. Muitos desses emissores passaram a competir oferecendo taxas acima da média, sustentadas por expansão rápida da base de clientes e estruturas de crédito mais complexas.

Nesse ambiente, investidores — inclusive sofisticados — passaram a enxergar renda fixa como um território quase isento de risco, especialmente quando associada ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). O problema é que o FGC foi concebido como um mecanismo de estabilidade sistêmica, não como um pilar de planejamento patrimonial para grandes volumes.

É nesse cenário que surgem os casos Master, Will Bank e, posteriormente, Fictor.

O caso Banco Master: quando a fragilidade deixa de ser invisível

O Banco Master apresentou um crescimento acelerado, apoiado fortemente em captação via investidores pessoas físicas e em estruturas financeiras que, posteriormente, se mostraram frágeis do ponto de vista de governança e liquidez. A intervenção do Banco Central e a decretação da liquidação extrajudicial não foram eventos isolados ou abruptos, foram o desfecho de um processo de deterioração.

Para o investidor patrimonial, o impacto foi imediato: ativos que eram percebidos como conservadores passaram a depender de processos administrativos, prazos incertos e limites de garantia. Quem tinha valores acima do teto do FGC passou a conviver com a possibilidade real de recuperação parcial ou tardia.

Aqui, o ponto central não é o banco em si, mas o que ele representa: instituições financeiras podem falhar, mesmo operando dentro do sistema regulado.

Will Bank: o risco de contágio dentro de grupos financeiros

O caso do Will Bank reforça uma lição fundamental: risco não respeita fronteiras jurídicas formais. Embora, inicialmente, o Will Bank não tenha sido liquidado junto com o Banco Master, o simples fato de integrar o mesmo conglomerado foi suficiente para gerar questionamentos, perda de confiança e intervenção regulatória.

Para o investidor, isso escancara um erro comum: analisar apenas o CNPJ emissor, ignorando o grupo econômico, os controladores e as interdependências operacionais e financeiras. Em situações de estresse, o mercado e o regulador tratam o grupo como um organismo único e o risco se propaga.

Grupo Fictor: quando o risco reputacional vira risco financeiro

A entrada do Grupo Fictor na história amplia ainda mais o alerta. A tentativa de aquisição do Banco Master, em meio a um cenário já deteriorado, trouxe exposição negativa, ruído reputacional e pressão sobre a própria estrutura financeira do grupo. O pedido de recuperação judicial da Fictor demonstra como eventos indiretos podem comprometer liquidez, crédito e valor de empresas que, em tese, não eram o epicentro do problema.

Para investidores, a mensagem é clara: risco sistêmico e risco reputacional caminham juntos, especialmente em estruturas complexas, alavancadas ou fortemente dependentes de confiança.

O erro central: tratar o FGC como blindagem patrimonial

Talvez o ponto mais sensível revelado por esses casos seja a forma como o FGC foi utilizado mentalmente por muitos investidores. O Fundo não elimina risco, ele mitiga parte do impacto para pequenos valores. Para patrimônios relevantes, ele cria três vulnerabilidades claras:

Primeiro, concentração involuntária de risco: valores acima do teto ficam expostos exatamente quando o investidor mais precisa de liquidez.

Segundo, descasamento de tempo: mesmo valores garantidos podem levar meses para serem pagos, o que afeta planejamento financeiro, sucessório e tributário.

Terceiro, relaxamento na análise do emissor: a garantia formal substitui, de forma perigosa, a avaliação de governança, balanço e sustentabilidade do modelo de negócios.

A lição patrimonial: risco não é taxa, é cenário

Os casos Banco Master, Will Bank e Fictor ensinam que risco patrimonial não se mede apenas em volatilidade ou inadimplência esperada. Ele se mede em cenários extremos:

– O que acontece com meu patrimônio se esse emissor falhar?

– Qual o impacto na minha liquidez pessoal e familiar?

– Que decisões serei forçado a tomar sob pressão?

Investidores que não fazem essas perguntas antes acabam respondendo depois, normalmente em condições desfavoráveis.

Como a Gennesys resolve: gestão de investimentos e riscos com visão patrimonial

Na Gennesys Investimentos, a gestão de investimentos parte de uma premissa clara: proteção vem antes de retorno. Nosso trabalho envolve uma análise integrada que considera:

  • A solidez do emissor e do grupo econômico,
  • a concentração real do patrimônio, inclusive em renda fixa,
  • os impactos tributários e sucessórios de eventos de estresse,
  • e a construção de portfólios que preservem liquidez, previsibilidade e poder de decisão, mesmo em cenários adversos.

Mais do que escolher ativos, estruturamos decisões patrimoniais conscientes, evitando que eventos inesperados se transformem em danos permanentes.

Conclusão: não é sobre evitar risco, é sobre não ser surpreendido

Casos como Master, Will Bank e Fictor não são exceções históricas. São lembretes de que o sistema financeiro é dinâmico, imperfeito e sujeito a rupturas. Para quem construiu patrimônio ao longo de anos, o maior erro não é correr risco, é não saber exatamente qual risco está correndo.

Patrimônio bem gerido não depende de sorte, promessa ou garantia isolada. Depende de método, visão estrutural e decisões tomadas antes da crise.


Se você possui patrimônio relevante e exposição a bancos médios, fintechs, crédito privado ou estruturas complexas, este é o momento de revisar sua estratégia.

Agende uma conversa estratégica com a Gennesys Investimentos para mapear riscos ocultos, testar seu portfólio em cenários extremos e proteger sua capacidade de escolha no longo prazo.