Mesmo com incertezas econômicas, setores estratégicos movimentam o mercado de M&A no Brasil
Fusões e aquisições (M&A) voltaram a ganhar força no centro das decisões estratégicas de grandes empresas em 2025. Após um ciclo de retração global, provocado por juros elevados e instabilidade econômica, o Brasil surpreende com um dos melhores desempenhos históricos no início do ano: foram 476 operações de janeiro a abril, o segundo maior volume registrado desde 2008, segundo a PwC.
Entre os destaques, dois setores se consolidaram como líderes de movimentações: energia renovável e saúde. Ambos compartilham atributos que chamam a atenção de investidores — resiliência, potencial de escala e relevância estratégica — e se destacam mesmo diante de um ambiente macroeconômico desafiador.
Energia renovável lidera fusões e aquisições em 2025

O setor de energia limpa responde por 40% de todas as operações de M&A realizadas no Brasil em 2025, com valor movimentado superior a R$ 120 bilhões. Mais do que números, esse protagonismo revela uma mudança estrutural de apetite do investidor: há uma busca crescente por ativos alinhados à agenda ESG, com receitas estáveis e grande potencial de crescimento.
A geração solar, tanto centralizada quanto distribuída, vive um momento sem precedentes. O número de transações envolvendo projetos fotovoltaicos cresceu 76% em 2024, com destaque para usinas com mais de 3,6 GWp de capacidade instalada. A geração centralizada quadruplicou em volume de negócios, enquanto a distribuída dobrou.
Apesar da volatilidade nos mercados, estudos mostram que o impacto negativo sobre os valuations no setor de renováveis é inferior à média. Quando há potencial claro de expansão e estruturação sólida, os riscos são relativizados, e a disputa por bons ativos se intensifica.
Setor de saúde é o segundo mais ativo em fusões no Brasil

Logo atrás do setor energético, o segmento de saúde ocupa o segundo lugar em atividade de M&A no Brasil. No primeiro trimestre de 2025, o setor respondeu por 10,7% do valor global das transações (equivalente a US$ 112,6 bilhões) e por 8% do volume total de fusões e aquisições no país.
A dinâmica do setor de saúde tem sido marcada por estratégias de consolidação. O histórico comprova sua relevância: entre 2003 e 2023, o setor registrou 817 operações de M&A, muitas delas motivadas por busca de escala, incorporação de tecnologia e expansão geográfica. A média histórica é de uma transação a cada nove dias.
Mesmo em períodos de incerteza, o setor mostra força. Modelos de negócio baseados em boa governança, tecnologia embarcada e visão de longo prazo continuam a atrair capital. Em um país com desafios de acesso à saúde e mudanças regulatórias constantes, empresas bem posicionadas conseguem transformar a volatilidade em vantagem competitiva.
O que os investidores estão buscando?
Em ambos os setores, um padrão se repete: os ativos mais procurados são aqueles que combinam escala operacional, eficiência e potencial de geração de valor no longo prazo. No atual ciclo, M&A não tem sido apenas ferramenta de crescimento, mas uma resposta à pressão por resultados mais sustentáveis e por negócios mais preparados para mudanças rápidas de contexto.
No caso da energia, há forte interesse por empresas que já operam sob o modelo de geração compartilhada ou comercializam energia no mercado livre. No setor de saúde, clínicas especializadas, hospitais com protocolos bem estabelecidos e operadoras com tecnologia integrada seguem como alvos preferenciais.
Perspectivas para o segundo semestre de 2025
A tendência é de continuidade no movimento de consolidação nos setores de saúde e energia. A liquidez global permanece seletiva, mas disponível para operações com bom racional estratégico. Ainda que o valor médio das transações tenha sofrido leve ajuste por conta do cenário macroeconômico — com retração média de 6,7% nos múltiplos, segundo dados recentes —, negócios com fundamentos sólidos têm mantido apetite comprador elevado.
Além disso, a presença de investidores estrangeiros continua relevante: os Estados Unidos lideram as aquisições internacionais no Brasil, com 31 operações realizadas apenas nos primeiros quatro meses do ano.

Conclusão: por que esses setores lideram?
Energia renovável e saúde não são apenas líderes em volume, são reflexos de uma nova abordagem no mercado de M&A. Em vez de oportunidades oportunistas, investidores buscam resiliência, inovação e conexão com macrotemas estruturais, como transição energética e acesso à saúde.
Para empresas desses segmentos, o cenário atual exige preparação. Estrutura societária adequada, governança fortalecida e dados financeiros organizados são diferenciais claros no processo de negociação.
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