Em um mundo onde incerteza deixou de ser exceção e virou regra, investidores buscam algo raro: segurança que não sacrifique retorno. Nesse cenário, as commodities surgem como um dos poucos ativos capazes de oferecer proteção real sem abrir mão de desempenho. Elas funcionam como um elo entre estabilidade e oportunidade, algo essencial num ambiente global de riscos crescentes, tensões geopolíticas e ciclos econômicos cada vez mais imprevisíveis.
Nos últimos anos, a volatilidade se intensificou nos mercados tradicionais. Bolsas sofreram com ruídos macroeconômicos, títulos foram pressionados por ciclos prolongados de juros altos, e moedas oscilaram diante de decisões políticas e conflitos regionais. Enquanto isso, os ativos reais — ouro, petróleo, metais industriais e agrícolas — mostraram capacidade de preservar e até expandir valor em momentos de estresse.
Não é coincidência. As commodities reagem ao mundo como ele é, não como esperamos que seja. E essa conexão direta com a economia real explica por que, em tempos turbulentos, elas brilham.

Por que as commodities ganham força quando tudo parece instável?
Em ambientes de instabilidade, o mercado tende a migrar para ativos tangíveis, bens que têm valor intrínseco e demanda independente das narrativas financeiras. Ao contrário de ações, que dependem da confiança no crescimento futuro, ou de títulos, que se apoiam em políticas de juros e inflação, commodities são consumidas diariamente pela economia global.
Quando o mundo trava, elas continuam circulando. Quando o mundo cresce, elas se valorizam. Quando o mundo entra em conflito, elas se tornam proteção.
É esse comportamento anticíclico — e muitas vezes descorrelacionado — que torna as commodities peças fundamentais em uma carteira moderna.
Em 2025, vimos esse movimento com clareza:
- Ouro ultrapassou US$ 4.300/oz, refletindo compras recordes de bancos centrais e o aumento da percepção de risco geopolítico.
- Petróleo voltou ao centro das atenções, impulsionado pela gestão de oferta da OPEP+ e pela instabilidade no Oriente Médio.
- Commodities agrícolas seguiram sensíveis a clima extremo, câmbio e mudanças na logística global.
- Metais industriais dispararam, com a transição energética mantendo a demanda por cobre, alumínio e níquel em tendência estrutural de alta.
Cada uma delas desempenha um papel específico, e compreender isso é essencial para usar commodities como alicerce estratégico — não apenas como diversificação ocasional.
O que, afinal, são commodities?
Commodities são matérias-primas essenciais à economia global, produzidas em grande escala, padronizadas e negociadas internacionalmente. Seu valor é determinado por oferta e demanda mundiais, não por características individuais do produtor.
Elas podem ser agrupadas em três grandes categorias:
- Metálicas: Ouro, prata, cobre, alumínio
Usadas em joalheria, indústria, tecnologia e, cada vez mais, na transição energética.
- Energéticas: Petróleo, gás natural, carvão
Determinantes para transporte, indústria e geração de energia.
- Agrícolas: Soja, milho, trigo, café, açúcar
Altamente sensíveis ao clima, ao câmbio e ao consumo global.
A grande vantagem das commodities é sua baixa correlação com ações e títulos. Em crises, quando ativos financeiros tendem a convergir para quedas simultâneas, commodities muitas vezes seguem trajetória oposta, oferecendo amortecimento e preservação de capital.
Ouro: o ativo que traduz a percepção global de risco
Poucos ativos atravessam milênios com tanta consistência quanto o ouro. Ele funciona como reserva de valor clássica, especialmente quando:
- a inflação ameaça o poder de compra,
- os juros reais caem,
- há instabilidade política ou militar,
- moedas fortes, como o dólar, perdem tração.
Entre 2024 e 2025, um conjunto de fatores impulsionou a demanda:
- compras recordes de bancos centrais, sobretudo em mercados emergentes,
- escalada de tensões no Oriente Médio,
- sinalizações de cortes de juros nos EUA,
- desconfiança crescente sobre dívidas soberanas.
O resultado foi uma valorização superior a 40% no período.
Como investir em ouro:
- ETFs como GLD e IAU
- Fundos especializados
- Contratos futuros na COMEX
- CFDs para operações táticas e de curto prazo
O ouro tende a ser o núcleo defensivo de uma carteira com estratégias de longo prazo.

Petróleo: o termômetro da atividade econômica mundial
O petróleo é talvez a commodity que mais influencia a vida cotidiana. Dos combustíveis aos fretes, da indústria química à geração de energia, seu preço impacta a economia em cadeia.
O valor do barril é afetado principalmente por:
- decisões de produção da OPEP+,
- estoques dos Estados Unidos,
- demanda global (especialmente China e Índia),
- tensões geopolíticas,
- sazonalidade e eventos climáticos.
Relatórios semanais da EIA podem gerar volatilidade intradiária.
Anúncios de cortes ou aumentos de produção pela OPEP+ costumam mover mercados inteiros.
Como investir em petróleo:
- ETFs setoriais (energia, exploração e produção)
- Contratos futuros
- Derivativos
- CFDs
Para investidores com maior apetite a risco, o petróleo oferece oportunidades relevantes de swing e position, além de proteção contra choques inflacionários.
Prata e cobre: metais que combinam indústria, tecnologia e volatilidade
A prata é um metal híbrido: funciona como reserva de valor, mas também é essencial em setores industriais, principalmente o de energia solar, eletroeletrônicos e baterias. Essa dupla identidade a torna mais volátil do que o ouro, porém com ciclos de valorização mais intensos.
O cobre, por sua vez, ganhou status de “metal da transição energética”. Ele é indispensável para:
- veículos elétricos,
- cabos de transmissão,
- redes inteligentes,
- infraestrutura urbana,
- sistemas de armazenamento de energia.
Estudos recentes projetam que a demanda global possa dobrar até 2035, criando um possível déficit estrutural de oferta.
Investir nesses metais é apostar na reconfiguração energética e tecnológica do planeta.
Commodities agrícolas: a força do clima, do câmbio e da demanda global
Soja, milho, trigo, açúcar e café são commodities vitais para cadeias alimentares e industriais. Sua sensibilidade a eventos climáticos extremos as torna voláteis — e, por isso, excelentes instrumentos de descorrelação.
O Brasil, protagonista mundial no agronegócio, teve participação expressiva nesse mercado: Em 2024, exportou 47,3 milhões de sacas de café, um recorde histórico segundo o Cecafé.
Além de clima e produtividade, o câmbio tem papel central:
quando o dólar sobe, produtores brasileiros tendem a aumentar exportações, o que impacta preços globais.
Esses ativos permitem exposição a uma dinâmica totalmente distinta da dos mercados financeiros tradicionais.
Maneiras de investir em commodities
Hoje, investidores têm diversas formas de acessar esse mercado:
- ETFs setoriais (ouro, energia, agrícolas, metais industriais)
- Fundos multimercado ou temáticos com foco em commodities
- Contratos futuros em bolsas como CME, CBOT e ICE
- CFDs, que oferecem agilidade e alavancagem controlada
A escolha ideal depende do horizonte de tempo, perfil de risco e estratégia geral da carteira.

Por que commodities devem compor uma carteira moderna?
Três fatores explicam sua importância crescente:
- Proteção contra inflação Commodities sobem quando os preços sobem.
São ativos que se beneficiam de escassez, choques de oferta e demanda aquecida, justamente os fatores que pressionam índices inflacionários. - Descorrelação: Quando ações e títulos caem simultaneamente, commodities tendem a seguir um ciclo próprio. Essa independência torna a carteira mais resiliente.
- Performance em crises: Durante choques econômicos ou geopolíticos, ativos reais preservam valor. Em muitos cenários, eles são os únicos componentes da carteira que apresentam retorno positivo.
Estudos recentes mostram que incluir commodities pode reduzir a volatilidade ajustada ao risco e melhorar a preservação de capital, um diferencial crucial em 2025, ano marcado por:
- tensões regionais,
- juros elevados,
- déficits fiscais crescentes,
- disputas comerciais,
- instabilidade monetária em economias emergentes.
Nesse ambiente, expor-se a ativos reais não é mais uma opção, mas uma postura estratégica de longo prazo.
Conclusão
Commodities representam um dos pilares mais sólidos para enfrentar tempos incertos. Seja com ouro para proteção, petróleo para aproveitar volatilidade, metais industriais para surfar a transição energética ou agrícolas para descorrelação, a lógica é clara: ativos reais fortalecem o portfólio de maneira que poucos instrumentos conseguem.
A Gennesys Investimentos trabalha exatamente nesse ponto: identificar, calibrar e incorporar commodities de forma inteligente e personalizada, sempre de acordo com o perfil e os objetivos de cada cliente.
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