Uma guerra comercial não afeta apenas governos. Ela atinge diretamente a confiança de executivos, o caixa das empresas e os planos de expansão global. Um levantamento recente da Reuters mostra a dimensão do impacto: companhias globais já perderam mais de US$ 34 bilhões com as tarifas impostas durante a gestão de Donald Trump — e os efeitos colaterais continuam crescendo.
Neste artigo, você vai entender o que está por trás desse número bilionário, por que tantos executivos estão suspendendo projeções e como o cenário de incerteza pode afetar os próximos passos de empresas e investidores.

US$ 34 bilhões em perdas (e subindo)
O número já é expressivo: US$ 34 bilhões em perdas somadas por empresas dos EUA, Europa e Ásia. O valor considera redução nas vendas, aumento nos custos e dificuldades operacionais. Mas especialistas alertam: o impacto real pode ser múltiplas vezes maior.
A análise da Reuters reuniu dados de:
- 32 empresas do S&P 500
- 3 do índice europeu Stoxx 600
- 21 companhias do Nikkei 225, no Japão
Entre as marcas afetadas estão gigantes como Apple, Ford, Porsche, Sony e Walmart. Todas elas reduziram ou suspenderam previsões de lucro devido à imprevisibilidade do cenário tarifário.
A incerteza trava decisões e mina a confiança
Mais do que os custos diretos, o efeito mais preocupante é a paralisação estratégica. Segundo Jeffrey Sonnenfeld, professor da Yale School of Management, as empresas estão menos propensas a investir, lançar produtos ou expandir sua atuação. “A incerteza gera inação”, afirma.
Um dado que chama atenção: 72% das empresas do S&P 500 mencionaram tarifas em suas conferências de resultados, contra 30% no trimestre anterior. No Japão, o número de empresas que citam tarifas saltou de 12 para 58 em apenas três meses.
Quando até previsões se tornam inviáveis
A insegurança é tanta que algumas empresas preferem não divulgar nenhuma projeção. É o caso do Walmart, que optou por não informar seu lucro trimestral. A United Airlines chegou a apresentar duas projeções diferentes para 2025, considerando cenários distintos de tarifas. Já a Volvo Cars suspendeu as previsões para dois anos inteiros.
Rich Bernstein, CEO da Richard Bernstein Advisors, resume: “Com tamanha incerteza, é mais seguro não projetar nada.”
Impacto por setor: de aviões a uísque
As tarifas afetaram especialmente os setores com cadeias produtivas globais, como montadoras, companhias aéreas e bens de consumo. Com o aumento do custo de matérias-primas como alumínio e componentes eletrônicos, ficou mais caro fabricar carros ou manter estoques.
Além disso, mover a produção de volta aos EUA — alternativa sugerida pela política de Trump — implica enfrentar custos trabalhistas mais altos.
Veja alguns exemplos:
- Kimberly Clark: estimou em US$ 300 milhões o impacto das tarifas em 2024 e anunciou investimento de US$ 2 bilhões para ampliar sua capacidade nos EUA.
- Diageo: dona da Johnnie Walker e Don Julio, anunciou corte de US$ 500 milhões em custos até 2028, para compensar um prejuízo anual de US$ 150 milhões com tarifas sobre bebidas alcoólicas importadas.
- Apple e Eli Lilly: anunciaram expansão de investimentos no mercado americano — movimento interpretado como tentativa de mitigar o impacto tarifário e se alinhar à política comercial local.
Justiça, idas e vindas
As tarifas não só causam perdas, elas também geram um cenário jurídico volátil. Em alguns momentos, tribunais chegaram a bloquear a aplicação das tarifas, gerando alívio temporário. Mas decisões de apelação as restabeleceram, mantendo a insegurança.
Essa instabilidade regulatória complica ainda mais a tomada de decisão, especialmente para multinacionais que precisam planejar com anos de antecedência.
Lucro pressionado: números em queda
A expectativa da LSEG é que o lucro médio das empresas do S&P 500 cresça 5,1% por trimestre entre abril e dezembro de 2025 — bem abaixo dos 11,7% registrados no mesmo período do ano anterior. Ou seja, o impacto das tarifas já está refletido nos resultados financeiros.

O que aprendemos com isso?
- Tarifas não afetam apenas governos: elas pressionam diretamente empresas, cadeias produtivas e decisões estratégicas.
- O custo não é só financeiro — é também reputacional e operacional.
- A visibilidade estratégica das empresas fica comprometida, gerando atrasos, retração e risco de desvalorização.
- Mesmo as gigantes do mercado, com equipes robustas e planejamento sofisticado, estão tendo dificuldades para lidar com a instabilidade.
Conclusão
O cenário criado pelas tarifas da era Trump é um alerta para empresas, gestores e investidores: insegurança regulatória e comercial custa muito mais do que se imagina. Os números são bilionários — e as consequências se espalham em cadeia.
Na Gennesys, acompanhamos de perto o cenário global para apoiar empresas em suas decisões mais estratégicas. Sabemos que navegar em contextos incertos exige informação confiável, análise de riscos e inteligência financeira.
Se a sua empresa busca crescimento com segurança, conte conosco. Porque, como mostram os dados, o custo da incerteza é sempre maior do que o da preparação.