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19/05/2025

IPOs: Com instabilidade no radar, empresas colocam abertura de capital em espera

Por que o cenário atual tem adiado planos de IPO ao redor do mundo e o que as empresas têm feito para se adaptar

Abrir capital na bolsa sempre foi um movimento estratégico para empresas que buscam acelerar crescimento, ganhar visibilidade e captar recursos. Mas desde o início de 2025, a janela de oportunidade para IPOs (Ofertas Públicas Iniciais) vem se fechando diante de um contexto global incerto.

Nos Estados Unidos, a volatilidade nas bolsas, os riscos de recessão e a guerra comercial em curso esfriaram o apetite do mercado nos últimos meses. Empresas como StubHub, Klarna e Chime adiaram suas aberturas de capital, mesmo com prospectos já protocolados na SEC. No Brasil, o movimento é semelhante: apesar da leve recuperação nos volumes globais de ofertas, a B3 segue com baixa atividade de IPOs.

O que está travando o mercado?

O recuo das empresas em relação a IPOs tem sido motivado por uma combinação de fatores. A incerteza macroeconômica global, especialmente nos Estados Unidos, continua elevada, alimentada por riscos geopolíticos e instabilidade nas políticas comerciais. Além disso, os principais índices de ações têm oscilado fortemente, dificultando a definição de estratégias de entrada na bolsa.

O temor de uma recessão ainda em 2025, apontada por estimativas de até 60% em instituições financeiras como Moody’s e JPMorgan, contribui para a cautela. Soma-se a isso a desvalorização de companhias listadas, que reduz a atratividade de novas emissões, e a queda de confiança nos mercados emergentes, agravada por incertezas políticas. Diante desse cenário, muitas empresas saudáveis preferem esperar por um momento mais estável antes de avançar com planos de abertura de capital.

 

E o que está acontecendo no Brasil?

O estudo mais recente do Centro de Estudos do Financiamento das Empresas Brasileiras da Fipe (Cefeb-Fipe) aponta que as empresas brasileiras estão enfrentando um custo elevado de capital próprio. Com a baixa valorização das companhias listadas na B3, novas emissões se tornam pouco vantajosas.

Esse cenário tem provocado um movimento curioso: em vez de ofertar mais ações, várias empresas estão recomprando seus papéis, aproveitando a desvalorização para fortalecer posições estratégicas.

 

O que fazer enquanto os IPOs não retomam?

Com o mercado de aberturas de capital em compasso de espera, muitas companhias têm recorrido a operações de follow-on como alternativa de capitalização. Em 2025, empresas como Caixa Seguridade, Vulcabras, Sabesp, Eneva e outras movimentaram o mercado com ofertas subsequentes.

Além disso, estruturas de captação privada, operações de M&A e reestruturações corporativas têm ganhado espaço como alternativas para manter liquidez, atrair investidores e preparar terreno para futuros IPOs, quando o mercado voltar a aquecer.

O papel da Gennesys

Na Gennesys, acompanhamos de perto os movimentos do mercado de capitais. Nosso trabalho é apoiar empresas em todas as etapas do crescimento: da estruturação interna à preparação para abertura de capital, passando por captações, fusões e reestruturações.

Em tempos de incerteza, contar com visão estratégica, análise de cenário e suporte técnico pode ser o diferencial entre congelar planos e seguir construindo valor.

Se o mercado esfriou, a preparação é o que diferencia quem está esperando de quem está pronto para quando a janela se abrir.